~#☥ENTREVISTAS DA RAVENS HOUSE BRASIL☥#~

ENTREVISTA COM A BANDA DE GOTHIC METAL RAVENLAND:

 

RHB - Pode parecer um tanto piegas, mas é um grande prazer estar realizando esta entrevista com vocês.
Dewindson Wolfheart: Nós quem estamos lisonjeados pelo espaço, muito obrigado! É um grande prazer conceder uma entrevista para uma publicação com o nome “RAVENS HOUSE BRASIL”, estou me sentindo em casa (risos)

RHB - Quanto tempo de estrada tem a banda Ravenland e quais as principais influências?
Dewindson Wolfheart: Formei a banda em 1997, logo em 1998 lançamos nossa primeira Demo-Tape - “October of 1998”, no ano seguinte lançamos outra “Live at Kalimar” (1999) e após inúmeros shows e uma boa repercussão das nossas primeiras demos, assinamos com uma gravadora independente, a MOONSHADOW para o lançamento do nosso primeiro disco “After the Sun Hides”(2001), mas devido a algumas mudanças na formação e outros problemas como a gravadora que veio a fechar, o disco não chegou a ser lançado, ainda tentei levar a frente a banda até 2003 quando participamos do CD tributo ao grupo de Dark Metal da grécia Rotting Chist, depois disto, fui morar em Fortaleza por dois anos e a banda ficou desativada.Foi quando a Camilla me convenceu a reativar a RAVENLAND em 2006, nos mudamos para São Paulo, lançamos o Single “Velvet Dreams” (2006) e o EP “Back” (2008)e agora está sendo lançado o “...and a crow brings me back” (2009).São onze anos, mas se não contarmos os três anos que estivemos desativados, seriam oito anos de atividades.
Desde o início as principais influências são as mesmas até hoje, a atmosfera melódica e sombria do gótico aliada ao peso e a energia do Metal. Livros, filmes e contos seriam as nossas influências mais específicas para compor as letras, mas no lado musical, pelo menos pra mim, grandes bandas do metal gótico europeu me serviram de base no início para que eu desenvolvesse a minha linha de vocal, como Vorph do SAMAEL, Peter Stelle do TYPE O NEGATIVE, David Gahan do DEPECHE MODE, Adrian Hates do DIARY OF DREAMS e Stephan do DARKSEED.

RHB - Todos os músicos se juntaram somente pra dar corpo à banda ou já tinham outros projetos musicais?
Dewindson Wolfheart:
Não, a RAVENLAND, sempre foi uma banda, e inclusive, todos os músicos que estão nela se dedicam 100%, a RAVENLAND não é um hobby, nem um projeto, é a minha vida e a da Camilla, agora podemos dividir este sonho com mais três pessoas, o Albanes, Cruz e o Tropz.O João Cruz tem um projeto dele, mas mantém-se 100% dedicado a RAVENLAND, a Camilla tem planos de fazer um projeto solo futuramente, algo diferente do que ela faz na RAVENLAND, não que para isso eles venham deixar a banda, mas para que possam satisfazer os seus próprios gostos pessoais acredito, eu mesmo, por exemplo, tenho vontade de um dia fazer algo só para gravar, meio na linha DIARY OF DREAMS.

RHB - Qual o ponto de vista do Ravenland sobre viver de música (sobretudo, a gótica) no Brasil, um lugar conhecido como a terra do samba, suor e cerveja?
Dewindson Wolfheart: (risos) Bem, a RAVENLAND conseguiu fazer um som que é meio termo, nem é totalmente Heavy Metal, nem é totalmente Doom, nem é totalmente gótica, nem é totalmente pop, e mesmo assim possui fortes elementos de todos estes tipos de som, por isso acreditamos que está dando certo e conseguindo manter-se.
Sobre fazermos isso num país conhecido pelo samba, suor e cerveja, heeheh, é justamente por isso que existe público querendo o contrário, Doom, frio e vinho. Já para compor, acredito que as pessoas não viram góticas, elas já nascem com a alma melancólica e por isso, independem de coisas externas como a nossa cultura para compor um som frio.
RHB - Quais os lugares que a banda já se apresentou e como foi a aceitação do público?
Dewindson Wolfheart: Nós já nos apresentamos no Nordeste, Sul e Sudeste do nosso país, em todos estes lugares o público se mostrou presente e valorizou muito o nosso som, inclusive todo o nosso merchandise; CD, chaveiros, camisas e bottons... Tudo isso esgota logo, não só as vendas, mas os elogios ao fim dos shows, dificilmente fazemos um show e saímos fora, sempre ficamos e conversamos com o público, daí sempre ouvimos coisas boas.

RHB - Como ocorreu a aliança da Ravenland com a Lady Snake, uma das mais conceituadas grifes de metal de São Paulo?
Dewindson Wolfheart: A LADYSNAKE é uma das maiores grifes de Rock/Metal em nosso país e a quê mais investe em Rock/Metal, por isso formaram um cast de bandas, cada uma representante maior do seu segmento para usar e representar a marca, como é o caso do HANGAR, TORTURE SQUAD, KORZUS, SHADOWSIDE, DR.SIN, GENOCÍDIO e a RAVENLAND acredito que nós somos uma das bandas escolhidas para representar o estilo Gothic Metal dentro deste cast. Faz um ano que estamos com esta parceria, a Sônia, o Sérgio e a Márcia, acreditaram no nosso som e em nosso objetivo profissional, e nós temos orgulho de ter esta parceria, ela surgiu após o lançamento do nosso EP “Back”.
A LADY SNAKE tem uma excelente visão administrativa, industrializam os melhores modelos com a melhor qualidade, por isso estão firmes no mercado, principalmente um mercado incerto atualmente como o do Brasil, tem que ter muita atitude para se firmar como eles se firmaram. Os seus diretores são excelentes pessoas e isso explica o sucesso da marca.

RHB - Profissionalmente falando, a Ravenland já recebeu convites para abrir show de bandas gringas aqui em São Paulo?
Dewindson Wolfheart: Já, fomos “convidados” para abrir vários shows de bandas gringas, não topamos porque alguns organizadores cobram para isso, nós não pagaremos nunca para abrir um show, pois o produtor de um show tem que valorizar as bandas nacionais, tem que ver a banda de abertura como um artista que vai somar público, e que este artista pode fortalecer ainda mais a cena brasileira e até mundial como o SEPULTURA, KRISIUN e o ANGRA fortaleceram.Recentemente estávamos confirmados 100% para abrir o show do TO/DIE/FOR, mas a banda encerrou as atividades no meio desta semana (entrevista feita no início de Abril).
Existe outra banda do exterior que está agendando uma tour este ano aqui no Brasil e em outros países da América latina e seu líder cogitou-nos como banda de abertura não só aqui no Brasil mas nos outros shows da América do sul, estamos vendo se os produtores irão fechar a idéia. Seria algo pro segundo semestre.

RHB - O clipe para a música "End of Light", desenvolvido pelo diretor e produtor Luiz Amorim, foi gravado no famoso (e assombrado!) castelo da Rua Apa. Qual foi a sensação de trabalhar em um ambiente envolto de mistérios ?
Dewindson Wolfheart: Desde que vi o castelinho da rua Apa pela primeira vez passando em frente, já fiquei apaixonado pela sua arquitetura, depois que conheci a sua história através do programa de TV da Rede Globo Linha Direta, percebi que aquele local seria o cenário ideal para um dia poder gravar um clip, não demorou muito para que a oportunidade surgisse, foi um pouco complicado para conseguir a liberação, tivemos várias reuniões com a ONG que reside no castelo, com uma Seguradora e ainda assinamos um documento para poder liberar as imagens.
O Luiz Amorim trabalhou bem, infelizmente tínhamos pouco tempo para gravar, e ainda tivemos que gravar em um único dia que ainda por cima choveu, por isso não fizemos tantas imagens externas do castelo, mas mesmo assim ficou excelente o trabalho feito pelo Luiz, um excelente produtor e realmente dedicado no que está desenvolvendo. Não só ele mas toda a equipe que participou do clipe foi fantástica, como a atriz Elaine Thrash e a equipe do programa Metalsplash que deu uma super força como contra-regras e o Ricardo Zupa que fotografou todo o making of.
A sensação de gravar lá foi sombria, pois você se imaginar cantando uma música como a End of Light em um local com uma história de amor e morte, foi como se estivéssemos invocando o passado, estivéssemos cantando para os mortos, ou trazendo algo de volta a vida. Logo eu que sempre adorei viajar nas letras do King Diamond que falam de histórias como esta da família que residia lá.
Mas o objetivo principal de termos gravado no castelinho foi o de podermos contribuir com a ONG que tenta hoje recuperar o Castelo através de uma campanha e poder assim mantê-lo como sede de ajuda a pessoas que procuram familiares desaparecidos e apoio a pessoas de rua.
O vídeo pode ser conferido AQUI.

RHB - Como foi trabalhar com feras como Tommy Lindal, Nightwish e Waldemar Sorychta?
Dewindson Wolfheart: Tommy Lindal é um norueguês de extrema simpatia, muito gente fina, grande amigo nosso e que surgiu o contato entre nós após sabermos através de um afilhado meu que ele tinha admiração por nosso som.
Então a Camilla deu a idéia de o convidarmos para participar do disco e ele aceitou com muita felicidade. Para quem é fã do THEATRE OF TRAGEDY antigo, a marca dele está lá, deixou os seus traços em duas músicas nossas com arranjos desenvolvidos por ele mesmo. Confiram depois, algumas guitarras de The Crow e Velvet Dreams.O Waldemar, sempre fui fã do trabalho dele como produtor, pois ele produziu os álbuns que eu mais curti em minha vida como quase todos do MOONSPELl, do FLOWING TEARS, SAMAEL, mandylion do THE GATHERING, wildhoney do TIAMAT, o vovin do THERION e muitos outros recentes como todos do LACUNA COIL e o último do TRISTANIA. Ele elogiou nossa música através do myspace e daí surgiu a brecha para o convidarmos a trabalhar conosco.

RHB - Qual a opinião de vocês sobre o cenário gótico/metal do Brasil?
Dewindson Wolfheart: O cenário atualmente tem ótimas bandas surgindo, quando a RAVENLAND começou os seus dias, havia somente o PETTALOM, o SILENT CRY e algumas bandas de Doom metal que já estavam dando alguns passos para o gótico como o SERPENT RISE e o IMAGO MORTIS.Hoje existem vários nomes, como o ...IN DEVILTRY (banda do Tommy Lindal), SUNSETH MIDNIGHT, o LIBRA, e muitos outros, além de shows internacionais com bandas do estilo que estão passando a vir com mais freqüência. Mesmo melhor que no passado, a cena ainda está em crescimento, esperamos que possam haver mais casas de shows e clubes virados ao estilo em outros estados, como acontece aqui em São Paulo.

RHB - Quais os planos da Ravenland para o ano de 2009?
Dewindson Wolfheart: Após a gravadora FREE MIND lançar o nosso disco, pretendemos fazer um mídia legal durante os três primeiros meses para que possamos fechar shows em todo o país para divulgar ao máximo o disco, assim como também estamos a busca de uma gravadora no exterior para lançar o disco em outros países, visto que o nosso contrato com a FREEMIND apesar de distribuir na Alemanha e Estados Unidos, eles vão lançar somente no Brasil.
Já estamos analisando algumas propostas. Fora isso pretendemos começar a compor o segundo álbum ainda no segundo semestre, pois o primeiro demorou muito pra sair, pretendemos tirar o atraso agora e em breve termos mais material novo para os fãs.

RHB - Muito obrigado pela atenção e esperamos que o sucesso apareça rapidamente com uma revoada de realizações.
Dewindson Wolfheart : Nós quem agradecemos pelo espaço cedido e gostaríamos de desejar muito sucesso a RAVENS HOUSE BRASIL também. Gostaríamos de pedir aos fãs que adquiram o nosso disco “...and a crow brings me back” e que compareça ao nosso show para comprovar a energia que passamos.Um forte abraço sob as asas dos corvos da RAVENLAND.




SITE OFICIAL

MYSPACE

COMUNIDADE NO ORKUT

 

ENTREVISTA COM O ESCRITOR E WEBMASTER MARCELO AMADO:

RHB - É um prazer fazer essa entrevista com você e muito obrigada pela oportunidade.
MARCELO AMADO:
O prazer é meu. Desde o início do Flores do Lado de Cima e do Fun House eu sempre curti o trabalho de vocês e é muito bacana poder aparecer nessas “malditas” páginas (risos). E eu que agradeço pela oportunidade. Pra quem está começando, como eu, é uma excelente ajuda. Mais um canal para divulgar o nosso trabalho.

RHB - Desde quando surgiu esse fascínio por escrever? E quais foram as suas influências?
MA:
Não tem muito tempo. Comecei a escrever em 2004, influenciado pelos contos de alguns autores que já publicavam seus contos no Estronho. Aprendi com o Richard Diegues, Camila Fernandes, Gian, Rita Maria Félix e outros amigos que fiz desde aquela época. Arrisquei um primeiro conto e recebi o incentivo daqueles de quem eu era fã. Daí em diante fui arriscando cada vez mais (risos). Quanto a uma influência mais marcante, eu poderia dizer que foi de um escritor fora do universo de terror e fantasia: Ken Follett. Quando li “Pilares da Terra”, me encantei com as descrições que ele fazia no livro. Ficava fácil imaginar as cenas e os lugares. Um pouco da mania de detalhar as coisas vem dele.

RHB - Qual foi na sua opinião o seu melhor conto?
MA: Tenho alguns preferidos. Difícil dizer apenas um. Gosto de “O Inferno não é como você pensa”, “Não fuja mais” – que não é exatamente um conto, mas é bem a minha cara. Gosto de “Ela veio, nua e linda” e alguns outros, inclusive os publicados nas coletâneas das quais participei. Recentemente, brincando com humor negro misturado a terror, veio o conto “Mortos não comem empadas”, que vocês publicaram na edição 6 do Flores. Rendeu muitos comentários e atingiu até mesmo a quem não gosta de terror. Tenho tentado criar mais nessa linha. E tenho escrito algumas coisas fora desse universo também. Tem sido uma ótima experiência. Há um mês venho escrevendo com o pessoal do blog A Arte Não é Minha e a cada semana temos um tema diferente nos desafiando (risos). Nada a ver com o terror, mas eu tento dar uma pitadinha do meu estilo lá também. Não muito que é pra não assustar (risos). E dessa mistura veio também uma parceria com a Natacia Araújo, um poema chamado Súplica (morte e sedução num poema que une dois estilos diferentes de escrita), que pode ser o início de vários outros duetos. Eu recomendo a leitura (risos). Fácil de encontrá-lo no meu site particular.

RHB - De onde veio a idéia do site Estronho? E há quanto tempo o site está no ar?
MA:
O site está no ar desde setembro de 1996. E surgiu a partir de uma inusitada notícia no jornal Estado de Minas. A seguinte manchete: “Presidiário japonês suicida engolindo um rolo de papel higiênico” me tirou boas risadas e me deu a ideia de criar um site de notícias e coisas inusitadas. Então vieram também os causos e lendas urbanas e os contos de ficção. Hoje os contos são o ponto mais forte do site e tenho o orgulho de ter textos de excelentes autores nacionais publicados por lá.

RHB - A manutenção do site é feita por você ou tem alguma ajuda?
MA:
Não. Só eu mesmo. A colaboração da galera se restringe a enviar os contos ou causos e lendas.

RHB - É sabido por todos que os contos de horror são os "vilões" da literatura você já sofreu alguma represália por algum conto seu?
MA:
Não. Pelo contrário. Me abriram algumas portas. Claro que muita gente não gosta, torce o nariz e diz aquele “ficou bom” da boca pra fora pra você não ficar sem graça (risos), mas no geral tem boa aceitação. Inclusive, mesmo escrevendo terror (não somente, mas na maioria das vezes) fui convidado pelas meninas do “A Arte Não É Minha”. Mas por outro lado, no geral, é sabido que no Brasil infelizmente ainda existe muito preconceito quanto ao gênero. Principalmente em relação a autores nacionais.

RHB - Você já participou de alguma coletânea de histórias fantásticas?
MA:
Eu participei do Necrópole Vol 2 - Histórias de Fantasmas (Ed. Alaúde), do Paradigmas Vol 1 (Tarja Editorial) e agora também no Draculea, O Livro Secreto dos Vampiros (Allprint) que deverá ser lançado em agosto.

RHB - Quais as suas perspectivas a respeito do seu primeiro livro?
MA:
Na verdade eu tenho dois livros praticamente prontos. Um deles é um romance que mistura amor “mela-cueca”, feitiçaria, terror e aventura. O outro é meu livro de contos, que já está com capa pronta e em fase de revisão. Mas não faço a mínima idéia de quando serão lançados (risos). Não tenho editora ainda e talvez tenha que apelar para edição independente. A ansiedade é grande, principalmente em relação ao de contos. Alguns são inéditos e outros, embora tenham sido publicados no Estronho e em outros sites, foram reformulados para o livro.

RHB - Marcelo Amado sobrevive de literatura ou tem outra fonte de renda?
MA:
Não vejo essa possibilidade de viver de literatura. Pelo menos não nos próximos muitos anos (risos). Sou analista de sistemas e tenho uma empresa que desenvolve sistemas para drogarias e farmácias com manipulação. Literatura hoje só tem me dado despesas. Infelizmente ainda precisamos pagar para publicar. Mas está valendo. Gosto de escrever e para divulgar os trabalhos tem que ser assim mesmo.

RHB - Você é um fiel seguidor do horror ou já seguiu por outras sendas do universo fantástico?
MA:
Não sou um fiel seguidor (ohhhhh... ouve-se um coro: traidor! traidor!). Como disse antes tenho escrito outras coisas, não somente dentro do universo de fantasias, mas também fora dele. Humor, amor, crônicas... Tem sido legal. Mas ainda prefiro o terror, suspense e o sobrenatural. E na leitura também tem sido assim. Procuro ler de tudo, sem preconceitos. Tenho inclusive procurado alguns clássicos da literatura brasileira. Podemos aprender muito com todos os estilos e autores.

RHB - Esteja a vontade para deixar uma mensagem para os novos escritores que pretendem lançar alternativamente seus trabalhos:
MA:
Bom, eu vou bater na mesma tecla que venho batendo nos bate papos com amigos, entrevistas e comunidades. Pessoal, cuidado com o estrelismo. Tem gente que publica um livro, chama a família pro lançamento numa livraria e se acha O ESCRITOR. Todos nós temos muito o que aprender. E se isolar como “o foda da turma” não vai ajudar em nada. Infelizmente hoje tem muita gente que só pensa no lado comercial. Ok, tudo bem. Você quer viver como escritor profissionalmente? Tudo certo. Mas para chegar lá, é preciso passar por etapas. Não é valorizando o seu livro em reais que vai fazer de você um puta escritor. A troca entre autores nos faz aprender muito. A doação de livros para sites e críticos podem ajudar na divulgação do seu nome. Todos tem o que acrescentar no estilo do outro. E tem outro detalhe: quem vai decidir se você é ou não escritor são os leitores e não você.

Vamos baixar a bola, nos unirmos e divulgar a literatura fantástica brasileira, porque tem muita gente boa escondida por aí. Muita gente talentosa querendo seu espaço e outros que já estão trilhando seu caminho há um tempo. Individualismo e arrogância nessas horas é ruim pra todos, inclusive para o dono do ego super inflado.

Bom, agradeço mais uma vez pela oportunidade e deixo aqui o endereço do Estronho para que os novos autores usem o espaço que temos lá. Mandem seus contos ou divulguem seus livros. E deixo também o meu site onde vocês poderão ler meus contos e outros textos.

Abraços horripilantes!

 

ENTREVISTA GIULIA MOON - RAVENS HOUSE BRASIL:
 
Giulia Moon é um doce de pessoa mas é conhecida por lidar frequentemente com as criaturas mais perigosas do mundo: os Vampiros. Escritora (e publicitária nas horas vagas...rsrsrs!) Giulia está prestes a lançar o seu primeiro romance baseado nos personagens de seu conto "Dragões Tatuados", publicado na coletânea "Amor Vampiro", da Giz Editorial. Saiba um pouco mais desta excelente escritora nesta entrevista cedida para a Ravens House Brasil

RHB- É uma honra estar realizando esta entrevista com uma das "cabeças assombradas" da literatura fantástica nacional.
R: Ah, obrigada! Assombrada ou não, as nossas cabeças são aquilo que temos de mais valioso. É um prazer colocar a minha a serviço da literatura fantástica brasileira e estar em contato com os leitores da Ravens House Brasil.

RHB- Desde quando Giulia Moon escreve contos de horror e quais são as suas influências mais marcantes?
R: Imaginar os contos, eu os imaginava desde pequena, antes mesmo de aprender a escrever. Eu contava histórias para mim mesma, na cama, antes de dormir. No escuro do quarto, eu inventava mil aventuras com algum herói da TV, dos livros e quadrinhos que eu folheava para ver os desenhos. Era assim que eu adormecia. Histórias que ficavam apenas dentro da minha cabeça, pois era uma garota muito calada e tímida. Quando aprendi a ler e a escrever, comecei a colocar essas historinhas no papel. Ainda tenho alguns deles, rabiscado em cadernos. Não eram histórias de horror, mas sempre tinham algum elemento fantástico. Livros que predizem o futuro, bruxarias, espadas mágicas, esse tipo de coisa. Depois, quando eu estava no ginásio, meus pais tornaram-se sócios do Círculo do Livro e eu podia escolher todo mês um livro novo para ler. Foi assim que li “Histórias Extraordinárias” de Edgar Alan Poe. Levei um choque, nunca tinha lido algo assim. O correr das palavras, das imagens que Poe evocava ao descrever os cenários era como uma música melancólica. Os espectros de Poe não tinham forma definida, clara, mas eram mais sensações, ideias, os medos interiores dos personagens adquirindo contornos físicos. Então pensei, que coisa maravilhosa é escrever assim, fazer de quem lê uma continuação de si mesmo, levando até ele aquela sensação, aquele ar, aquele clima que você sentiu em determinado momento de sua vida. Passados séculos após a morte do escritor, essa sensação continua viva, reverberando na cabeça de um leitor moderno... E percebi que era esse tipo de coisa que me atraía para escrita. Claro que não é fácil conseguir essa identificação, essa troca de sensações com o leitor. Grandes autores conseguem fazê-lo até com uma história banal, porque tudo que escrevem é único – porque foi escrito por eles. E os escritores que me influenciaram a partir daquele momento são os que me tocaram dessa forma. Na época escrevi muitos contos de horror, influenciada por Poe. Depois, entrei na faculdade para estudar Publicidade e Propaganda e os contos ficaram esquecidos na gaveta por um tempo, pois tornei-me diretora de arte, deixando a escrita em favor da parte visual. Só retornei a ela em 2000, quando recomecei a escrever contos, participando de grupos de discussão na internet com pessoas que gostavam também de escrever. A produção dessa época inicial iria depois dar origem ao meu primeiro livro, “Luar de Vampiros”, em 2003.
As minhas influências são muitas, nem dá para falar de todas. Dos autores, acho que posso citar como os mais marcantes além de Poe, Ray Bradbury, com os seus belos contos outonais, onde os avanços da ciência são vistos com o olhar fresco e sem preconceitos de alguém que não perdeu de vista o encanto das coisas mágicas. A riqueza de detalhes e a complexidade na construção de um universo fantástico efetuado por Tolkien nos seus livros, fazendo de um conto de fadas uma leitura instigante para os adultos. Stephen King, que, além de ter uma criatividade prodigiosa, capta com sensibilidade o comportamento das pessoas comuns, simples, jogadas ao encontro de situações horrendas. Neil Gaiman, que faz as criaturas fantásticas andarem ao nosso lado como se fizessem parte deste mundo, num jogo de faz-de-conta maravilhoso. Ah, e os filmes japoneses, que mostram, na prática, que o horror verdadeiro é aquele que avança sobre todos os limites, todos os tabus.

RHB- Você se dedica unicamente à literatura fantástica ou possui outra carreira profissional?
R: Ah, quem não gostaria de viver só escrevendo? Mas, por enquanto, não dá. Eu trabalho como freelancer, prestando serviços de redação publicitária e designer. A minha meta é no futuro ganhar a vida, senão como escritora, mas em alguma atividade mais ligada à literatura.

RHB- Como é ser uma escritora de literatura fantástica num país com tão pouco empenho no gênero?
R: Hoje em dia as editoras estão muito mais acessíveis, dispostas a publicar material nacional. Quando comecei em 2000, chegar a uma editora era quase um sonho impossível. Mesmo a publicação de autores estrangeiros de literatura fantástica era escassa. Apenas os nomes mais conhecidos, já bestsellers lá fora, eram publicados, com uma ou outra exceção. Isso mudou bastante após o sucesso de séries como Harry Potter, Senhor dos Anéis e, agora, Crepúsculo. Então, se as coisas estão difíceis hoje, já foram mais. O interesse pela literatura de Horror, assim como de Fantasia e Ficção Científica existe e sempre existirá. Os leitores estão aí, muitas vezes sem grana para comprar os livros ou compram os bestsellers, pois não sabem que há escritores talentosos daqui mesmo produzindo boas obras. As dificuldades para o escritor, seja brasileiro ou não, presumindo-se que ele tenha talento e escreva bem, se resumem a isso: divulgação e retorno financeiro. Se não há divulgação, o livro não vende. Se o livro não vende, o escritor vai continuar a escrever num sistema amador, cansado após um dia de trabalho em outra área. Isso repercute na qualidade de sua obra e na sua produtividade. Quem conseguir romper esse círculo se destaca e pode se tornar um sucesso. Se vários escritores brasileiros conseguirem se destacar, está formada uma massa crítica que vai tornar a literatura fantástica um negócio rendoso e, consequentemente, vai melhorar a vida de todos os envolvidos: escritores, editores, leitores.
Uma das formas de quebrar esse círculo é o movimento contrário – o de baixo para cima. Nós, eu, você, o leitor que está nos lendo agora e que gosta de literatura fantástica, temos que fazer um movimento sério e constante para divulgar e recomendar a literatura fantástica brasileira para os nossos amigos, conhecidos, através dos meios que dispomos, seja um site, um fanzine ou uma revista. Mas não de forma xenófoba, atacando os estrangeiros e exaltando as qualidades de qualquer um, contanto que seja brasileiro, mas dando o devido valor – nem mais nem menos – aos talentos que existem por aqui. Isso já aconteceu com um fenômeno chamado André Vianco, que foi primeiro reconhecido pelo público, que o transformou num sucesso de vendas, e só depois foi notado pela mídia. Ele é um marco dentro da literatura fantástica brasileira, que mostra que esse movimento de baixo para cima é possível e funciona. Então vamos fazer a nossa parte.

RHB- Você tem um traço suave e muito bem definido. Já chegou a desenhar HQ's antes de se tornar escritora?R: Já desenhei vários mangás na minha adolescência, pois eu sempre fui muito visual na forma de sentir e ver as coisas. Estão também na gaveta, às vezes produzindo algumas coceirinhas nas minhas mãos. A verdade é que, para se desenhar um HQ leva-se muito mais tempo do que para escrever... E isso limita as minhas possibilidades na área. No entanto... Bem, num desses repentes inesperados, eu resolvi desenhar um HQ após muitos anos. Chama-se “Althea” e é baseado num microconto meu de mesmo nome. Vai ser publicado no próximo número da Scarium Megazine, uma revista dedicada à literatura fantástica, cujas edições de horror eu tenho o prazer de organizar. A próxima edição tem como tema “Mulheres” e trará contos de vários bons escritores nacionais como Martha Argel, Nelson Magrini, Cristina Lasaitis e outros. E terá o meu primeiro HQ publicado, desenhos meus e a adaptação para quadrinhos de Roberto Melfra. No HQ, que tem 6 páginas, quisemos experimentar uma proposta visual diferente, com o tempo da narrativa bem subjetivo, com variações de velocidade. Vamos ver como os leitores reagem... A revista deve sair agora, entre o final de abril e início de maio.

RHB- Há quanto tempo existe esta fascinação pelo universo kármico dos vampiros e qual foi o seu primeiro contato com o gênero?
R: O primeiro contato foi com os filmes da Hammer, o Drácula de Christopher Lee. Passava nas sessões coruja da vida, e eu não tinha tanto interesse por eles. Comecei a curtir vampiros assistindo o filme ‘Drácula”, com o ator Frank Langella, onde ele fazia um vampiro bonito, que cortejava as mulheres, dominando-as com os seus encantos. Em nenhum momento ele se transformava num monstro. Era baseado numa peça da Broadway que fez um grande sucesso explorando o lado sensual do vampiro. E esse meu interesse se consolidou num certo dia, quando encontrei numa estante da Livraria Cultura o livro de uma autora que eu nunca tinha ouvido falar: “O vampiro Lestat”, de Anne Rice. Acho que foi aí que os vampiros morderam a minha jugular. Os livros de Anne Rice têm aquela qualidade, aquela “troca” de sensações com o leitor, que já falamos antes. Inspirada por esse livro, sentei à mesa e escrevi o meu primeiro conto de vampiros, a “Dama Branca”, que faz parte do meu primeiro livro, “Luar de Vampiros”. Depois disso, tenho mantido com essas criaturas um relacionamento bom e duradouro em três livros de contos e um romance, que está para sair.

RHB- Em quantas coletâneas você já participou? Existem registros de seus trabalhos literários publicados fora do país?
R: Em 2008, participei da coletânea “Amor Vampiro” da Giz Editorial com o conto “Dragões Tatuados” e agora, em 2009, deve sair o “Território V – Vampiros em Guerra”, coletânea organizada por Kizzy Ysatis, onde participo com o conto “As Vampiras de Kenshin”. Não tenho nenhuma obra publicada no exterior.

RHB- Você já foi censurada (de alguma forma) pelo conteúdo erótico que contém as histórias de vampiros? Cite um exemplo, se ocorrido.
R: Nunca. As histórias de vampiros são como histórias de qualquer outro personagem. Podem ser de horror, policiais, românticos, enfim, não precisam ter necessariamente um aspecto erótico. Há um clima de erotismo nos meus contos, pois o vampiro que descrevo geralmente é o do tipo sedutor, não o vampiro-monstro. E a sedução, o erotismo, faz parte da vida de todo mundo. Não há nada mais natural do que isso.

RHB- Pessoalmente, você é uma pessoa extremamente doce. Qual a reação dos leitores que conhecem seu trabalho quando, ao te conhecerem, não encontram uma criatura entrevada e sedenta de sangue humano?
R: Acho que ficam agradavelmente surpreendidos. Pelo menos eu espero que sim... Os monstros sanguinários devem ficar no seu lugar, na ficção. Na vida real, a amizade, a cortesia, a delicadeza no trato com o próximo é a melhor coisa que um ser humano pode oferecer ao outro.

RHB- Sabe-se que o Japão é muito ligado às suas tradições. Como descendente você demonstra isso em suas obras ou as asas da sua imaginação são livres neste sentido?
R: Acho que há muito das minhas raízes japonesas em tudo que eu escrevo, mas isso não é algo pensado, planejado. Acontece, apenas. De alguns meses para cá tenho me sentido bem mais “japonesa”, pois as pesquisas e os estudos nos quais mergulhei para escrever o meu último livro “Kaori – Perfume de Vampira” me fizeram descobrir facetas da minha personalidade ainda mais nipônicas. Mas a minha imaginação é uma mistura de tudo, um coquetel de referências da cultura pop ocidental e oriental sem muita organização. Nunca se sabe o que vai surgir desse caos... E essa mistura de raças, no fim das contas, é uma característica bem brasileira, não é? A minha imaginação é totalmente brasileira!


RHB- Fale-nos um pouco sobre seu mais novo trabalho, "Kaori: Perfume de Vampira".
R: “Kaori” é o meu trabalho de maior fôlego até agora, o meu primeiro romance, que traz de volta Kaori e Samuel, os protagonistas do conto “Dragões Tatuados”, da coletânea “Amor Vampiro”. Ele consumiu muito tempo em pesquisas, em estudos, e contei com a ajuda de vários amigos, grandes profissionais em suas áreas, que me forneceram informações inestimáveis para tecer esse mosaico de aventuras, de emoções e de cenários que é “Kaori”. Metade do livro se passa no Japão feudal, contando a história de Kaori, a linda adolescente que traz no seu corpo um delicioso e sedutor perfume natural. A palavra “kaori”, em japonês, significa “fragrância”, “perfume”. A outra metade transcorre no Brasil, na caótica São Paulo dos dias de hoje, onde vive Samuel, um olheiro de vampiros que observa essas criaturas para um misterioso instituto de pesquisas de seres fantásticos. Os capítulos do Japão e de São Paulo vão se alternando, os fatos do passado explicando os de agora, em duas histórias movimentadas, cheias de ação, que convergem para um mesmo final. E não terá só vampiros na trama, pois uma fauna interessante de criaturas noturnas aparecerá no decorrer do livro. Estou muito confiante na qualidade do livro, na sua capacidade de divertir e de proporcionar algumas horas muito agradáveis de leitura. “Kaori – Perfume de Vampira” deve sair agora, no meio do ano. Acho que vocês vão gostar... E, se quiserem ler um trecho inédito do livro, e conhecer o perfil de alguns personagens, dêem uma passadinha no meu blog Phases da Lua. Para quem tem Orkut, há uma comunidade “Kaori – Perfume de Vampira”, criada por um dos meus leitores, o escritor Leonardo Ragacini. Estamos agitando por lá, discutindo e mandando novidades sobre o livro. Vocês estão convidados, claro! Olha o link: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=56706228

RHB- Você conta com alguma "ajuda externa" para publicar suas obras? Como é escrever e publicar um livro ( inclusive de horror) no Brasil?
R: Atualmente não conto com nenhuma ajuda financeira, eu sobrevivo do meu trabalho e das minhas economias durante esse período. Escrever um livro é um trabalho duro, exige muita concentração, saúde para gastar as madrugadas escrevendo mais um capítulo, muita leitura, muito trabalho intelectual. Mas, principalmente, inspiração. Há momentos em que ela nos falta, ficamos dias sem escrever, pois simplesmente a inspiração se foi. Isso é a parte mais perigosa. A mais sofrida.
Depois do livro pronto geralmente vem a fase da publicação. No meu caso, com exceção do meu primeiro livro, “Luar de Vampiros”, cuja publicação pela Scortecci eu mesma financiei, eu sempre tive a oferta de um editor disposto a me publicar antes mesmo de terminar o livro. Foi assim com “Vampiros no Espelho & Outros Seres Obscuros”, o meu segundo livro, quando a Landy Editora me procurou após ler um conto meu num tablóide literário. Eu reuni às pressas o material para apresentar ao editor, que aprovou o livro e publicou-o. “A Dama-Morcega”, o meu terceiro livro, nasceu também de um pedido da Landy, que queria publicar mais um livro de contos fantásticos. Para isso, reuni alguns textos antigos e escrevi o conto que dá nome ao livro, que se passa na cidade de São Paulo de 1905. “Kaori” também foi praticamente comprada pela Giz antes de ser terminada, e eu tive apenas o ônus de corresponder às expectativas do editor, que havia confiado e apostado no meu talento antes mesmo de ver o resultado. Acho que os meus livros são resultados não de um instante de sorte ou de atos isolados, mas de um trabalho contínuo, consistente, voltado para um mesmo propósito. Produzir bons livros, que façam o leitor sentir-se gratificado após a leitura, satisfeito por ter empenhado seu tempo e dinheiro em troca desses momentos de prazer.

RHB- Muito obrigado por nos ceder estes momentos agradáveis e queremos deixar bem claro que as portas da Ravens House Brasil estarão sempre abertas para seus trabalhos.
R: Eu é que agradeço pela oportunidade de estar em contato com a Ravens House. Foi uma entrevista muito agradável e espero ter tirado todas as dúvidas dos seus leitores. Desejo a todos uma linda noite de lua cheia, plena de mistérios e de criaturas fantásticas!

 

GIULIA MOON NA INTERNET

ENTREVISTA COM ARCANO SOTURNO

 (Sombrias Escrituras) JAN. 2009

Por R.Raven
01 - Qual a origem do pseudônimo Arcano Soturno?
R: Primeiramente, gostaria de agradecer à amiga Rosana Raven pela entrevista, pois há bastante tempo a conheço na cena, estando sempre ativa no meio underground.
“Arcano” é um pseudônimo que surgiu quando eu editava um fanzine chamado “Arcanum”, e o nome do editor desse fanzine, que deveria ser fictício, era Arcano porque eu assim o criei para identificar o fanzine. O tempo foi passando e esse fanzine acabou para dar início ao Sombrias Escrituras, mas o pseudônimo permaneceu, e é como as pessoas da cena underground me conhecem. Já o acréscimo “Soturno”, veio com a idéia do Soturnismo que eu e outros poetas demos início nas páginas do fanzine Sombrias Escrituras.

02- Há quanto tempo se dedica ao trabalho alternativo e à poesia?
R: Há mais de sete anos, quando da publicação do fanzine Arcanum, até os dias de hoje com Sombrias Escrituras.

03- Pretende lançar um livro com o material escrito no Sombrias?
R: Sim, mas esse será um trabalho muito difícil e cheio de detalhes, pois as publicações feitas em Sombrias Escrituras são muitas e variadas. Foram sete anos publicando poemas, contos, ilustrações, artigos, entrevistas e matérias diversas. Não sei se eu sozinho conseguiria fazer isso.

04- Em algum momento já pensou em desistir da cultura alternativa?
R: Já, e foram muitas as vezes. É um meio que não dá lucros e você tem que se virar com seus próprios recursos. Mas é gratificante fazer porque é algo que me fascina e diverte, além de ser um meio pelo qual vários artistas conseguem um espaço de divulgação que não conseguiriam facilmente para seus trabalhos.
Hoje, fico pensando na hipótese de que, se em algum momento eu desistisse, não teria o prazer de ver o quanto Sombrias Escrituras cresceu e se tornou referência cult para várias pessoas que admiram o gênero, dentro da área da literatura e arte sombria.

05- Você tem ajuda financeira para manter o site?
R:
Não, nenhuma. Sai tudo do meu próprio bolso. Manter o site é muito difícil, mas eu tento contornar essa dificuldade cobrando preços simbólicos pelos fanzines e outros serviços oferecidos pelo site.
Para manter um trabalho de qualidade é necessário dinheiro, e eu não me importo em investir em Sombrias Escrituras, porque penso da seguinte forma: “Se eu fosse leitor, iria querer dessa forma”.

06- Quanto aos fanzines... qual foi a tiragem do Sombrias Escrituras até o momento?
R: Eu não faço tiragens. O fanzine Sombrias Escrituras funciona de forma singular que eu mesmo criei. São protótipos no formato original que se usariam para a copiadora de uma gráfica. Um processo antigo que as gráficas não utilizam mais. E sempre que preciso, tiro quantas cópias eu quiser diretamente dos protótipos editorados digitalmente..
O número de exemplares que mais saiu, para uma edição, foi de cento e vinte (edição antiga, nº 14 – especial sobre vampiros). E no total, somando todas as edições, já devo ter enviado mais de mil exemplares para todo o Brasil, sendo alguns enviados para Portugal.

07- É freqüente o envio de material para o site ou o Sombrias Escrituras já tem um número fixo de colaboradores?
R:
Eu sempre digo a todos que o espaço em Sombrias Escrituras é aberto e ilimitado, não há um número fixo de colaboradores, porém todo o material é sujeito a análise.

08- Como é promover o soturnismo no Rio de Janeiro?
R: Por incrível que pareça, eu tenho um número muito grande de simpatizantes, em primeiro lugar no Rio, depois vem São Paulo e a seguir Minas Gerais. O Soturnismo fala de uma época atual, em que vivemos no fundo do poço. Quando dei início a esta idéia, eu me perguntava qual estilo teria predominância em nossa época literária, e uma vez minha professora de literatura me disse: “Quanto a isso não sei, mas certamente será algo que tenha a ver com o fundo do poço em que estamos vivendo atualmente”.
Não é uma arte gótica, como pensam alguns. Mas sim uma arte que reflete a realidade conturbada em que vivemos.

09- Você já recebeu alguma proposta de patrocínio público para seus trabalhos?
R: Nunca. Eu tenho muitos colaboradores que me ajudam com materiais e divulgação, mas patrocínio mesmo, é muito difícil alguém se dispor a patrocinar algo que considera “macabro”.

10- Como é a vida social de Alexandre Souza ...trabalho, estudo ?
R: Muito diferente! Na época que comecei com Sombrias Escrituras (2002) eu era fuzileiro naval. Depois passei por outros empregos diferentes, e sempre estudei Informática. Também faço teatro e escrevo. Ainda não publiquei meu primeiro livro, apesar de ter vários textos prontos e guardados, mas sempre quis ser escritor, um objetivo que venho adiando há tempos.

11- O Anjo Soturno é uma alto-biografia?
R:
Sim, escrevi essa obra quando estava no quartel. Através dela expressei muitos de meus sentimentos, mas é uma obra incompleta. Eu a escrevia quando estava em contato com a natureza, só eu e as árvores e a praia de uma ilha pequena e inabitada, usada como paiol da Marinha. Para completar essa obra, preciso estar em paz novamente com a natureza.
Quem tem essa obra em fanzine tem uma raridade, porque está esgotada e só será publicada novamente em livro (rsrs).

12- Você tem planos para este projeto?
R: Sim, quero publicar “Anjo Soturno” completo e ilustrado. Com um CD contendo músicas de alguns de seus poemas, feitas por bandas voluntárias e que sejam de meu agrado.

13- Quais são os planos para o futuro do Sombrias Escrituras?
R: Quero fazer edições especiais do fanzine, dedicados a apenas um poeta ou escritor em especial. De preferência contemporâneo. Conheço vários que merecem um trabalho assim em Sombrias Escrituras. E quero também aumentar a qualidade do fanzine, com capas coloridas e melhor acabamento. Tornando-o mais que um simples livreto, a intenção é transformar esse trabalho em pequenos objetos de luxo da literatura.
E para quem ainda não conhece, todo o trabalho realizado em Sombrias Escrituras pode ser conferido no site .
Das Sombras
ARCANO